Editorial #43

Nestes dias que correm, é muito fácil cair em discursos fatalistas e sucumbir à depressão profunda existencial que nos assola. Como não? O mundo revela-se um sítio caótico, assustador, confuso. Não sabes quem é o teu vizinho ou o que faz, mas garantidamente sabes o que o tropa multimilionário está a fazer no outro canto do planeta. Desligar não é uma opção, mas talvez tenha chegado a altura de ponderarmos qual é o melhor curso de ação para mudar o rumo das coisas.

Nesta Playback #43, de certa forma, pondera-se sobre isso. Quando planificamos uma edição, não estamos particularmente à procura de que esta seja coesa ou de que os temas das peças se conectem. Porém, é hábito que isso acabe por acontecer duma maneira ou doutra. Será que é por sermos peixes a pregar aos peixes? Ou será que simplesmente existe uma força maior que nos leva a escrever sobre música, a pensar sobre música? A resposta talvez seja um 50/50 maroto. Mas onde há força, há luta. E onde há luta, há esperança para a revolução. Talvez seja esse o mote para esta edição.

Nesta 43ª Playback, há quatro peças que tentam encontrar na música uma índole para continuarmos a lutar. Eu falei com ALLiAN, porta-voz de ARCANA, coletivo queer portuense; a Ana Margarida Paiva tentou encontrar coração na ALTA COSTURA de Van Zee e FRANKIEONTHEGUITAR; o Tomás Afonso estreia-se a escrever na Playback para relembrar o legado de To Pimp A Butterfly de Kendrick Lamar; e o Eduardo Ribeiro tenta dar cor às suas memórias do recente concerto dos canadianos Godspeed You! Black Emperor na Casa da Música. Como se isto não bastasse, um convite: dia 4 de abril a Playback celebra o seu segundo aniversário na Casa do Comum, em Lisboa. Em breve iremos revelar a programação do evento. Para já, apontem no vosso calendário. Vemo-nos lá.

Cucujanense de gema, lisboeta por necessidade. Concluiu um curso de engenharia, mas lá se lembrou que era no jornalismo musical e na comunicação onde estava a sua vocação. Escreveu no Bandcamp Daily, Stereogum, The Guardian, Comunidade Cultura e Arte, Shifter, A Cabine e Público, foi outrora co-criador e autor da rubrica À Escuta, no Espalha-Factos, e atualmente assina textos no Rimas e Batidas e, claro está, na Playback, onde é um dos fundadores e editores.
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